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UM AFFAIRE COM A DIGNIDADE – (Reflexão)

Amor e sexualidade são eminentemente uma prática, uma forma de relacionamento e interacção... Pela erogenia e qualidade hedónica que proporcionam somos induzidos a fantasiar e cogitar diversos fétishes... uns mais arrebatadores e ousados que outros. Mas para lá da libido existe a realidade... Com efeito, quer pautemos essa prática pelo idílio ou pela luxúria, pelo puro platonismo ou frívola lascívia, é certo afirmar que para além da realização, fruição e prazer, há um importante lugar para o respeito e para a dignidade no trato entre pessoas. Amor e a sexualidade constituem algo de profundo, do mais intimo e autêntico que pode existir. São o derradeiro reduto e âmago onde caiem todas as máscaras e convenções, formando a acção pela qual as pessoas inequivocamente demonstram em verdade quem são e como são, mesmo que finjam! A actualidade faz transparecer que neste universo tudo se tornou efémero, vago e inconsequente, quase caricatural... Ninguém parece conseguir assumir posturas e toma...

THE KING'S SPEECH – Colin Firth; Geoffrey Rush

O título do filme, à partida, pode parecer vago e indiciar alguma monotonia... mas para todos os que empreenderem o seu tempo a vê-lo, certamente o qualificarão de hilariante e re pleto de nuances e pormenores... Um pouco de Wiittgenstein, um pouco de Freud, uma pitada de Piaget, Pavlov e Vygostky, tudo doseado e temperado com o humor e sarcasmo britânico, encenados por dois grandes actores e actriz, detentores de vozes proeminentes e de grande competência cénica – Colin Firth; Geoffrey Rush; Helena Bonham Carter –, eis o segredo para se transformar um filme que gira em torno da gaguez e de um discurso do Rei George VI, de Inglaterra, marcando a entrada bélica na II.ª Guerra Mundial, em episódio interessante e engraçado de acompanhar. A metragem privilegia o plano facial das personagens e coloca-nos num universo de tons acinzentados como não poderia deixar de ser quer pelo facto do objecto e tese do filme se tratar de um discurso, bem como pelo enquadramento, a cidade de Londr...

STAR WARS – Signo Multicultural

O universo fantástico da saga Star Wars granjeou fãs por todo o mundo. Muitos de nós já "brincámos" à "Guerra das Estrelas" ou jogámos um ou outro vídeo-jogo votado a um dos VI episódios. Uns serão mais fãs que outros, mas de imediato, com maior ou menor acuidade identificamos e relacionamos personagens como Master Yoda, Anakin Skywalker, Darth Vader, Obi-one Kenobi, Han Solo, Luke Skywalker, ou até mesmo termos como Jedi, Sith, Milenium Falcum, Death Star... and so on and so on. É inegável o impacto, a influência e marca cultural que Star Wars imprimiu na civilização da "aldeia global", "era da informação" e NTIC. Esse mérito deve muito à natureza multiculturalísta desta épica odisseia espacial, desprovida de qualquer vício e preconceito etnocêntrico. Com efeito Star Wars consubstancia a perfeita simbiose e miscigenação de culturas, tempos, espaços e civilizações remotas entre si. São algumas dessas referências e representações servidas ao espe...

INCEPTION – Leonardo DiCaprio

Certos filmes possuem um toque mágico! Exercem fascínio e sedução, a ponto de se tornarem assunto de pleno direito em conversas de café que, em tom e conteúdo, variam desde o frugal até ao mais puro dos axiomas. É esse poder que me induz a escrever ou comentar algumas longas-metragem. Depois de as vermos, não conseguimos ficar calados, queremos explorar mais, ir mais além... Não porque me considere bom crítico de cinema ou um invertebrado cinéfilo... Tudo se deve à intensidade ou magnetismo com que determinado filme cativa os sentidos e a mente. Inception enquadra-se nessa categoria, entre o conjunto daqueles filmes que não queremos esquecer, que não nos importamos de recordar, rever e falar, falar muito sobre eles, bem como discuti-los, debat ê -los e fazer o melhor dos panegíricos ou o mais solene encómio. Inception alicia a mente, desafia a inteligência, cativa a atenção ao mais ínfimo dos pormenores, assim como testa a par e passo a concentração. A cadeira de cinema tra...

BOOK OF ELI – Denzel Washington

Eis-nos caídos num Apocalipse nuclear. Uma espécie de 3.ª Guerra Mundial despoletou tamanho desiderato.  A sociedade desagregou-se vivendo no caos e anomia. O instinto de sobrevivência mantém os que restam vivos, organizados sob a forma de bandos e pequenas urbes acicatadas e dirigidas pela égide de uns quantos caudilhos. Tal cenário afigura-se rocamb olesco, hardcore e desolador.  Deformações físicas, deserto e avareza nuclear, violações, barbarie, vendeta, banditismo, rapina e canibalismo estão na ordem do dia. A água potável e as suas fontes converteram-se no novo ouro negro. Diversos bandos e caudilhos disputam o seu controlo e fazem negócio com quem a pode pagar a preço de ouro. Por outro lado a irradiação nuclear tornou a visão num dos sentidos mais escassos, sendo poucos aqueles que a conservam e usufruem. .. Idiossincrasias tecnológicas surgem em tom quase caricatural. Por exemplo o ipod convive lado a lado com o gramafone. Entre arcaísmos e anacronismos o...

AVATAR 3D – James Cameron

  AVATAR não é apenas mais um filme. É o filme! Em todos os pormenores e domínios é completo e quase perfeito. Claro que me refiro à versão 3D. Comecemos por esse ponto. Durante todo o filme conseguimos sentir e ver a profundidade de toda a cenografia, em todos os takes , frames , tudo está concebido ao mais ínfimo detalhe para impressionar os sentidos. Igualmente impressionante são os traços ambientais que parecem transportar-nos para dentro do próprio cenário, sejam as paisagens ou a envolvência da geologia – montanhas flutuantes – fauna e flora do planeta PANDORA ou todas as cenas de combate e acção que se desenrolam. Para os mais sensíveis a profundidade dos cenários com altos declives e altitude chega mesmo a fazer vertigens. Simplesmente fantástico! Referência ainda para os soberbos hologramas, menus e interfaces electrónicos dos computadores da era de exploração espacial em que o filme se desenrola, o que de facto confirma a predilecção e gosto que a ficção científica e...

A CHRISTMAS CAROL – Jim Carrey

Sou um grande apreciador de Charles Dickens. Com argúcia inata para a crítica e caricatura social, o escritor de Oliver Twist e Copperfield chega ao cinema 3D no seu A Christmas Carol . Nesta animação 3D, o dedo de Dickens está por toda a parte. Na intriga surgem os seus temas favoritos: a miséria, a ignorância, os traumas pueris, a clivagem entre classes, a avareza dos que tudo tem, mas são infelizes e a felicidade dos que nada tem. Na cenografia mais parece que foi o próprio Dickens quem realizou e montou esta animação pois superabunda o gosto do autor por perspectivas aéreas, momentos de retrato das personagens, contextos e ambientes e claro está não poderiam faltar as obsessões predilectas deste escritor pelos telhados londrinos com as suas chaminés, assim como relógios, talvez dois dos ícones que melhor representam a Revolução Industrial. Falando ainda das obsessões não poderiam faltar as menções, alusões e o visionamento das prisões, escolas, hospícios, orfanatos e as temív...