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REGRESSO ÀS AULAS – (Reflexão)

Regresso às aulas. Estas coisas também acontecem aos professores, não é mero fado – ou, para alguns docentes e discentes, enfado – dos mais petizes. Primeiro dia como professor dos moçoilos. Retempero o meu ar ensonado com os raios de sol que irrompem pelos frisos da janela do quarto, porque esta rotina de ensinar é como deixar os maus hábitos ou boa-vida de solteiro. O fado rebuliço de Ana Moura dá o mote: « Cada dia é um bico d’obra (…)». A cabeça matuta no dogma pedagógico-didático “ never smile before Christmas ”, temeroso de pirralhos, fedelhos e enfants terribles , pseudofobias ministradas pela mentalidade mais corriqueira das psicologias da educação ou psicologia das emoções e comunicação que, pretensamente, auxiliam as experiências de ensino-aprendizagem, quiçá saudosistas de se dar a mão à palmatória, conquanto a minha vontade se incline mais para o aforismo humanista de Eleanor Roosevelt (1884-1962): « The future belongs to those who believe in the beauty of their drea...

PERCURSO ACADÉMICO E VIVENCIAL – (Introspecção)

É tempo de despedir-mo-nos de RA,  Apolo e Febo, assim como de Baco e Dionísio, deuses grego e romano da pândega.  Por outras palavras, as férias de verão terminaram… Não tarda nada e Persefone irá fazer a sua estadia no Hades . Tal é sinónimo de Outono-Inverno. Mas não se preocupem, porque Atlas continua a sustentar o Mundo. Este é o pano de fundo que marca o reencontro com Toth ou, para quem preferir, com Minerva e Nabu, contexto atinente ao começo de um novo ano escolar ou académico que, à partida, sucita diferentes expectativas e motivações tanto a docentes como discentes, consoante a faixa etária e domínios disciplinares… Já há algum tempo que trato o deus Toth e a deusa Minerva por tu. Com efeito já levo um quartel de século nos seus meandros. Tal começou não há muito tempo e não muito longe na minha memória, aos três anos de idade com a ida para o Infantário. Foi o primeiro marco da minha vida nas dependências académicas e que me fez compreender que para além do pad...

A MEDIOCRIDADE DO PERFIL – (Reflexão)

A rentrée está aí e com ela os 45.000. São professores mais ou menos jovens, recém-licenciados ou que cultivam o gosto paciente de apenas figurar nas listas do concurso nacional, tendo-se dado previamente ao trabalho de preencher a candidatura on-line sem mácula. Este é tão-só um dos números que se atiram para o ar no arranque do ano lectivo e que não traz nada de novo. Há porém outros números que convém ter em conta: os que figuram no relatório «Perfil do Sistema de Ensino», de Maio do corrente, onde encontramos dados do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE). Se quisermos fazer as contas a olho – como convém à politiquice – podemos dizer que basicamente o número de professores diminuiu enquanto que o número de alunos aumentou. Logo, dá mais alunos por cada docente. Mas não: alicerçada nos convenientes dados da OCDE, Maria de Lurdes Rodrigues revelou a sua brilhante leitura: Portugal é o país com menor número de alunos por professor! No primeiro ciclo, apenas 11 ...

CUO BONO CLIO? – (Crónica)

Há quem não se importe com a História... Há até quem desmereça, descarte ou não ache importante! Mas a civilização não pode viver sem ela, quanto mais aliená-la ou obliterá-la! Duas das descobertas fundamentais para o desenvolvimento da civilização e do Mundo e que hoje e sempre estarão presentes, devem-se à História... Falo da escrita e da matemática (se preferirem da numeração). O aparecimento e desenvolvimento da escrita esteve associada ao facto de Povos, Reinos, Nações e Civilizações desejarem e quererem deixar vestígio e testemunho dos seus feitos e grandiosidade, épocas áureas, " golden age ". A escrita ainda hoje é usada por tecnologias como as NTIC (net, media, computadores, telemóvéis), que sem ela seriam obsoletas! A escrita como instrumento tecnológico brilhante, desenvolvido pela História, é e foi usada para que as pessoas se pudessem conhecer, amar, namorar... Sem dúvida um contributo da Musa Clio a essas outras Musas chamadas de Afrodite, Venus, Diana, Ishta...

NEVER SMILE BEFORE CHRISTMAS – (Crónica)

Olho-te no espelho ainda embaciado pelo calor do banho matinal. Um sorriso tímido vai ganhando contornos mais definidos. É hoje a primeira vez. A verdade é que a água tépida não serviu para te despertar do mundo dos sonhos. É hoje, sim, é hoje! Os dias de sol ajudam a prolongar a estadia nesse universo mágico. E está um belo dia de sol. O sorriso inunda agora todo o espelho. O toque do sino da igreja rouba-me à contemplação. Vamos lá, são horas! Não podes facilitar... Um professor nunca chega atrasado, lembras-te? E um professor estagiário está lá religiosamente uma hora antes. Meia hora para rever a matéria da aula. A outra meia para pedir aos deuses que aquele insuportável bando de bárbaros que lhe vai irremediavelmente aparecer pela frente não faça muitos estragos em tudo o que uma sala de aula pode compreender, professor incluído. Talvez dirija as suas preces a algum padroeiro do professor estagiário. Será que existe? É provável. De qualquer forma a sua existência daria muito jeit...