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A mostrar mensagens com a etiqueta Psicologia

REGRESSO ÀS AULAS – (Reflexão)

Regresso às aulas. Estas coisas também acontecem aos professores, não é mero fado – ou, para alguns docentes e discentes, enfado – dos mais petizes. Primeiro dia como professor dos moçoilos. Retempero o meu ar ensonado com os raios de sol que irrompem pelos frisos da janela do quarto, porque esta rotina de ensinar é como deixar os maus hábitos ou boa-vida de solteiro. O fado rebuliço de Ana Moura dá o mote: « Cada dia é um bico d’obra (…)». A cabeça matuta no dogma pedagógico-didático “ never smile before Christmas ”, temeroso de pirralhos, fedelhos e enfants terribles , pseudofobias ministradas pela mentalidade mais corriqueira das psicologias da educação ou psicologia das emoções e comunicação que, pretensamente, auxiliam as experiências de ensino-aprendizagem, quiçá saudosistas de se dar a mão à palmatória, conquanto a minha vontade se incline mais para o aforismo humanista de Eleanor Roosevelt (1884-1962): « The future belongs to those who believe in the beauty of their drea...

ESCOLHAS E HORIZONTES – (Reflexão)

A liberdade de escolha, designada de livre-arbítrio no dizer bíblico e cartesiano, constitui a faculdade humana mais importante. No devir existencial, construímos diferentes perceções e representações sobre a realidade ou circunstâncias que nos rodeiam, as quais definem os traços de personalidade e temperamentais que, por seu turno, regulam o comportamento, o modo de agir a par da capacidade reflexiva ou de interpretação do mundo, capacitando-nos à individuação, isto é, a ser, a conhecer e a fazer aquilo que desejamos. Com efeito, a nossa vontade é formada, em grande medida, pelas escolhas que protagonizamos, bem como pelo assentimento conferido às escolhas dos outros. Na dita sociedade ocidental – globalizada e individualista – em que muitos de nós vivemos, coloca-se o enfoque da liberdade de escolha na realização egoísta ou concretização exacerbada de desejos exclusivamente hedonistas, sem que exista tempo dedicado a refletir sobre o bem ou o mal que provocam quer no dom...

BAD ASHLEY – (Reflexão)

Sem nenhuma amargura ou sequer estupefação perante qualquer tipo de comportamento afetivo e sexual, até porque parafraseando o aforismo salomónico "não existe nada de novo debaixo do sol", observo e afirmo com laconismo que me parece de todo bacoco e incauto esta industrialização e comercialização da infidelidade/adultério via web , prometendo como leitmotiv facilidade de "engajamento" e privacidade absoluta miscigenada quiçá com a fantasia de "nunca sermos descobertos"!  Diria que somos presas fáceis no ciberespaço, na medida em que todo o conceito desse negócio se sustenta na intermediação e por muito bom que seja o algoritmo, ao ser desenvolvido por humanos e opera r na internet, a promessa de sigilo e confidencialidade reduzem-se a vã ilusão. Todo este pensamento na sequência do "escândalo" relacionado com o hackear do site Ashley Madison dedicado à extraconjugalidade.  Paradoxal é que neste pedaço do mundo e civilização oc...

"DAD BOD" – (Reflexão)

Dad bod , um novo estereótipo estético e da sexualidade emergiu na pop culture sistémica em que consiste esta nossa aldeia global, consignando perceções e representações da realidade e do imaginário, gizadas pelas auto denominadas sexy girls que quiçá saturadas dos instintos queer ou laivo hardcore indutor de comportamentos de fornicatio objetivados em recorrentes episódios de traição e extraconjugalidade por parte de metrossexuais, entre outros, enveredaram por tal cosmovisão menos criteriosa, dir-se-á uma fase fluffy ! A meu ver esta necessidade de quantificar e qualificar afetos e relacionamentos miscigenados com padrões de figurinos resulta em tremenda piroseira e o que é sexy deixa de o ser porque redunda no mais abominável comportamento humano, preconceito e discriminação. Mais. Colocámos o prazer, a realização e a felicidade emocional como se fossem questões de competição e campeonatos. Enfim, a civilização da informação e do entretenimento é mestre na cultura do vazio...

RAINHAS E PRINCESAS MODERNAS – (Reflexão)

Mundos cor-de-rosa, contos de fada, histórias de amor e aventuras de encantar... Qual o espírito que não frui ou se eleva com essas felizes vivências idílicas?  Na nossa sociedade emancipada onde aparentemente a "conveniência" deixou de ser casamento, as pessoas parecem ansiar por colorir amizades e relacionamentos, assim como a sua imagem e personalidade com matizes de um romantismo medieval. Contra mim próprio falo, visto que sempre fui mais sapo sempre a saltar de charco em charco do que príncipe... Quanto muito seria apenas um príncipezinho... O certo é que cada vez mais se denota o cair em desuso do modelo burguês do "bom partido"... Elas – opinion makers nesta matéria – consideram além da posse, o enlevo, a sensibilidade, a pose e a cortesia. Assim sendo, a expressão ganha jus e sentido e o "príncipe encantado" cavalga alado de boca em boca. Marxistas e materialistas estavam radicalmente enganados. A emancipação não se alcança pela condição ...

SOBRE O EFÉMERO... – (Reflexão)

O efémero vive! Nas nossas acções, atitudes e comportamentos perpetuamos-lo. É uma nova forma de espiritualidade e até de religiosidade.  Não se trata de uma novidade absoluta. Friedrich Nietsczhe em opúsculos como A Origem da Tragédia e Assim Falava Zaratustra anunciou o primado da estética sobre a ética. Mais. Que nas gerações vindouras os valores éticos seriam praticados e determinados pela estética. Dorian Gray no universo literário ficcional viveu e consubstanciou essa axiologia até aos seus extremos. Poder-se-ia ainda identificar neste apelo que o efémero induz um legado helénico. Com efeito, a atracção por aquilo que é belo – além do espaço que ocupa na arte – foi um dos axiomas da filosofia pré-socrática, socrática e aristotélica que tinha por metas a ascensão dialéctica a grandes valores personificados na Verdade, no Bem e no Belo. Contudo, a realidade demonstra que estamos perante um fenómeno mundial. Efeitos disseminadores da Globalização? Exportação do American W...

UM AFFAIRE COM A DIGNIDADE – (Reflexão)

Amor e sexualidade são eminentemente uma prática, uma forma de relacionamento e interacção... Pela erogenia e qualidade hedónica que proporcionam somos induzidos a fantasiar e cogitar diversos fétishes... uns mais arrebatadores e ousados que outros. Mas para lá da libido existe a realidade... Com efeito, quer pautemos essa prática pelo idílio ou pela luxúria, pelo puro platonismo ou frívola lascívia, é certo afirmar que para além da realização, fruição e prazer, há um importante lugar para o respeito e para a dignidade no trato entre pessoas. Amor e a sexualidade constituem algo de profundo, do mais intimo e autêntico que pode existir. São o derradeiro reduto e âmago onde caiem todas as máscaras e convenções, formando a acção pela qual as pessoas inequivocamente demonstram em verdade quem são e como são, mesmo que finjam! A actualidade faz transparecer que neste universo tudo se tornou efémero, vago e inconsequente, quase caricatural... Ninguém parece conseguir assumir posturas e toma...

ERA UMA VEZ NA QUEIMA – (Sátira)

Não caibo em mim de felicidade e alegria! Que contentamento e basófia é para um estudante a semana da Queima das F itas! Motivos folclóricos, momentos de efeméride e euforia, desde cerimónias de apadrinhamento, imposição das insígnias, caloirice, solene serenata, cortejo, noites da queima, arraiais, pegas de touro, enterros das gatas... Ah, mas tudo isto só agora começou... É a evolução e a modernidade a acontecer em frente aos nossos olhos: este ano a ortodoxa e hierática Queima de Coimbra elegeu uma Miss Queima das Fitas... Uau! Pasmo e babo! Mas há mais, muito mais... Refiro-me aos símbolos e pecúlios da tradição académica como o traje que nos enche a todos de orgulho, o latex , o fermento das bebidas e por ai adiante... Características da Queima? O luto académico impõem-se de dia e desnuda-se de madrugada... Habituem-se meus caros a andar enlutados... Durante e depois da licenciatura a vida não vai ser nada colorida... O traje está na cabeça e não no corpo... Festejar ao despro...