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A CRISE DO PERNIL – (Crónica)

  Séculos volvidos, depois de nos recusarmos a levar nas canelas dos franceses por meio do Bloqueio Continental, mas de descruzarmos as pernitas para os ingleses, desbotando o orgulho pátrio através das cores de um mapa que, ainda por cima, era cor de rosa, as gentes de brandos costumes deram o troco ao boicotarem a mercancia do pernil. Tal incidente, além de demonstrar que este mundo se encontra autenticamente de pernas para o ar, decerto colocou a titubear algumas das perninhas da gerigonça. Nestas coisas de passar a perna, se Bolívar imaginasse que os seus esforços libertários culminariam em mais dentada ou menos dentada num pernil de Seia, jamais empreenderia qualquer iniciativa revolucionária de descolonização, limitar-se-ia a esticar o pernil perante tamanha trivialidade. Bem, pernas para que te quero à parte, nada melhor do que a noite de réveillon estar aí mesmo à perna, para compensar toda e qualquer angústia de degustação. Vai uma perninha de da...

CADERNITOS DE PASSATEMPOS – (Sátira)

Aquela editora do Porto, essa corja sexista, alvo da polémica semanal. Postulo a educação para a diversidade. Fico atónito com a incongruência – talvez charlatanice – dos paladinos que a querem promover e, ainda mais, com o charivari reproduzido pelos meios de comunicação social ou, porventura, nem isso, meros apensos de reality shows que, ao rezarem as manhãs, tentam mandar a sua néscia colher de chá. Por estes dias, de forma repentina, o país voltou-se para o Portugal dos p equeninos, porque uns quantos petizes andavam entretidos com passatempos cor-de-rosa para meninas e em tons de azul para rapazes, em suporte livro, imaginem se fossem apps ou qualquer bugiganga virtual para ipad ! Tudo isto no mundo em que alguns dos graúdos brincam de namorar ou desdenham com um simples deslizar de dedo para a direita ou para a esquerda, respetivamente. Dou de barato que “cadernos de passatempos” didáticos, mesmo sem fins ou aplicação escolar, não devem de plasmar nívei...