Avançar para o conteúdo principal

ALGURES EM DEZEMBRO... – (Miscelânea)


É dia feriado. Dezembro sorri numa manhã pálida. Já pela tarde o dia ganha novas cores e cora um pouco mais. Apolo convida a uma promenade junto à beira-mar... Motorizo e acicato os cavalos do "Mini" para me dirigirem a tal destino...
Sento-me. É bom aproveitar as restas do Sol equinócio... Na esplanada a conversa está boa. Cada frase é iluminada por raios de Sol oblíquos. O capuccino aquece a voz e faz comédia provocando um riso balbuciante pelos bigodes que a espuma cremosa depositou no contorno dos lábios... Um gesto afável refaz o bom senso... O moustache à la capuccino desapareceu no afago da carícia.

O Sol boceja e prequiça, a pouco e pouco vai deixando de nos fazer companhia. A Lua sempre maquilhada com a sua base de rosto alva é carinhosa e ternurenta ao avisar-nos que a brisa amena que se faz sentir rapidamente se converterá em frio crepitante

É com salpicos e odor a maresia que deixamos a praia. No firmamento o Sol rasteja em tons de rouge para o seu leito, o que contrasta com as nuvens roxas, transeuntes deste mágico lusco fusco em que nos despedimos uns dos outros com shake hands, hugs and kisses. Um belo postal do final do dia.
Já de volta a casa acicato novamente os cavalos do "Mini"... Sim meus bravos puro-sangue corram, corram...

Está frio. Entro em casa e a temperatura do lar convida ao cochilo... Volvidas algumas horas desperto... Tomo um duche quente relaxante... Aperalto-me para o frio e motorizo novamente os cavalinhos... meus fiéis amigos, sempre a correr por mim!

Rosado no rosto por todas aquelas que me fitam, encontro-me no meio de um aglomerado mais ou menos conhecido. Mergulho num chá de camomila e banho-me num crepe de caramelo que adoça a conversa... Já refeito do frio nada melhor do que um gelado para arrefecer o rosto rosado. Com o meu apetite e paladar percorro as estalactites e estalagmites de tal guloseima, escalando o universo contido naquele copo de gelado de baunilha e rum com passas... Mais tarde o odor da canela e do café alegram-me os sentidos e espírito... Feliz, quase que não dou conta do tempo passar.

Estou em frente a uma tela... repleta de aventura e acção onde L. DiCaprio, Russell Crowe e Ridley Scott metem conversa comigo. Peço-lhes desculpa por sair à hora marcada e não fazer mais sala, deixando tão ilustres personalidades para trás, mas tenho um compromisso... O mobile phone é agora canal de Cupido, golpe de anca de Afrodite e piscar de olho de Calipso que me convidam a ir ao seu abrigo... Il pluit...

Os costumes burgueses determinam que é hora de regressar a casa. Mais uma vez conto com os meus bravos cavalinhos, sempre incansáveis. É hora de os fazer descansar. No meu lar a brasa incandescente induz-me o sono. É hora de recobrar. Até amanhã meus amigos(as).
CA

Comentários

Mensagens populares deste blogue

AVATAR 3D – James Cameron

  AVATAR não é apenas mais um filme. É o filme! Em todos os pormenores e domínios é completo e quase perfeito. Claro que me refiro à versão 3D. Comecemos por esse ponto. Durante todo o filme conseguimos sentir e ver a profundidade de toda a cenografia, em todos os takes , frames , tudo está concebido ao mais ínfimo detalhe para impressionar os sentidos. Igualmente impressionante são os traços ambientais que parecem transportar-nos para dentro do próprio cenário, sejam as paisagens ou a envolvência da geologia – montanhas flutuantes – fauna e flora do planeta PANDORA ou todas as cenas de combate e acção que se desenrolam. Para os mais sensíveis a profundidade dos cenários com altos declives e altitude chega mesmo a fazer vertigens. Simplesmente fantástico! Referência ainda para os soberbos hologramas, menus e interfaces electrónicos dos computadores da era de exploração espacial em que o filme se desenrola, o que de facto confirma a predilecção e gosto que a ficção científica e...

GERAÇÕES Y E Z – Reflexão

Image by Top 10 website Millennials e Zappers , as gerações do pensamento em mosaico e, supostamente, multitarefa, eufemismo que caracteriza o etos – forma de ser ou estar – próprio de quem deixa tudo pela metade, a começar pelos relacionamentos. A Geração do Milénio (Y) e os seus descendentes, a Geração Zapping (Z), demarcam-se da monotonia dos compromissos para viverem a crédito das aparências, sobretudo face a competências académicas, profissionais e socio-afetivas supostamente inatas ou adquiridas, que, de facto, não dominam.   No limbo digital web em que a Generation Me insufla egos, globaliza narcisismo bacoco, imersa na qualidade erógena de cliques, likes , emojis , efeito viral e K-idols , nem tudo consubstancia defeitos, destacam-se algumas virtudes. Aparentemente ecorresponsáveis e ativistas interculturais, estas gerações exibem solidariedade, nomeadamente se esse altruísmo fomentar a voracidade pela partilha de selfies . Fetichistas dos emoticons , regressam à...

A EXPERIÊNCIA DA VIAGEM – (Reflexão Histórica)

Qualquer pessoa fica animada ao pensar empreender grandes aventuras e viagens. É uma espécie de vaticínio e anseio que desde sempre assola o Homem no sentido de alcançar lugares desconhecidos, achar o incóngito incluindo toda a adrenalina que tal demanda provoca em termos de emoções e sentimentos, assim como, toda a frenética da logística, os preparativos, a estratégia e linhas de rumo a adoptar para nos passearmos pelos quatro cantos do mundo que há séculos dão tantas dores de costas e reumatismo a um velho e cansado Atlas que desde que existe google maps e google earth deve ter erguido as mãos aos céus sem se preocupar com as consequências de tão irreflectida e tresloucada atitude! Todos alimentamos este gosto e reservamos lugares como destino de sonho ou no caso de já ser conhecido como destino saudosista e de retorno. É certo que nesse desejo pela viagem existirão contornos e caprichos mais exóticos que outros, mas hoje em dia, em maior ou menor grau, todos são amplamente concre...