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O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON – Brad Pitt; Cate Blanchet

Inúmeros clichés poderiam ser enunciados para caracterizar O Estranho Caso de Benjamin Button, mas limito-me a fazer a apologia de um dos melhores filmes que vi até à data... 
Roda durante 3 horas, mas em cada minuto renova a atenção e cativa o interesse do espectador... Como cinéfilo afirmo que há grande mestria na adaptação do romance ao cinema, assim como em cada aspecto e pormenor da metragem... A esse respeito é mister referir os momentos sitcom do velho que de forma hilariante foi atingido ao longo da sua vida por 7 raios, sendo que essas peripécias são dadas a conhecer ao público por cenas de cinema mudo...

Exímia e soberba é a interpretação e actuação de Brad Pitt, versátil, inteligente e perspicaz no seu desempenho... É um dos seus melhores papéis de sempre, digno de todas as homenagens, reconhecimento e galardões... Espero que a Academia tenha o bom senso de não atribuir a estatueta dourada a Sean Penn em Milk... Já Cate Blanchett demonstra estar à altura de contracenar com a personagem de Pitt...

O storyboard compõe-se de momentos e peripécias bizarras. O contrário não seria de esperar, visto que se trata de um estória de alguém que nasce como se tivesse 80 anos – entregue a uma vida soturna e bucólica –, amadurece e envelhece rejuvenescendo, é velho em corpo de criança, no filme Benjamin sofre de alzheimer enquanto criança e morre como um recém-nascido...

No decurso de tal devir Benjamin Button tendo por lema o ensinamento da sua mãe adoptiva preta – nunca se sabe o que pode acontecer amanhã...– vive tanto ou mais do que as pessoas consideradas "normais"! Trabalha, vive aventuras, apaixona-se, diverte-se, viaja, enche a cara, sofre por amor, tem affaires amorosos, namora, casa, constitui família e ainda participa na 2.ª Guerra Mundial... Tanto que dá para escrever um diário e para um filme de 3 horas...

Interessante é o facto de a personagem interpretada por Cate Blanchett significar amizade e companhia na infância e adolescência de Benjamin, atracção afectiva e platónica, bem ao estilo de Emílio e Sofia, na pós-adolescência de Benjamin, aos 20 anos é amada por Benjamin, sofre de ciúmes por ele e fica dividida entre amar Benjamin ou seguir até ao mais alto estrelato na sua carreira de bailarina, facto que a impele a frequentar meios e adoptar comportamentos liberais que são obstáculo para que os dois fiquem juntos... Aos 30 anos, o amor entre os dois desabrocha sob a forma de luxúria, paixão, namoro e casamento, e atinge o auge com a constituição de uma família, ambiente passional que será vivido a dois e durará uma década... Aos 50, numa espécie de despedida romântica, protagoniza um momento lascivo tendo um caso de amante com Benjamin que nessa altura tem a aparência de um adolescente... Na velhice acaba por ser a ama de Benjamin que é um velho em corpo de criança e morre como recém-nascido...

A inversão do tempo é a tese bem patente do filme, em todas as suas vertentes, planos, símbolos e mitos... Tal matiza-se no simbolismo extraído dos relógios – em especial o relógio da Grand Station de Nova Orleães cujo o ponteiro dos minutos girava em sentido inverso, e que no final acaba por ser engolido pelas vagas e cheia gerada pelo Catrina –, os números, as estações do ano, as cores de cada momento cenográfico...

Uma especulação do campo da física, ontogénese e filogénese, que é composta em tema humanista sob a forma de romance num caso estranho – Benjamin Button – que no cinema consegue criar intimidade e proximidade com o público... A concluir não posso deixar de remeter para o significado do nome Benjamin...


CA

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