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PLASTICIDADE E CIENTIFICIDADE – (Introspecção)

Pressão... A obrigação persegue-me e atormenta. Sou invadido e comocionado por um estado ansiogénico. A respiração vacila entre o ofegante e o profundo. Penso com os pulmões por entre bocejos e suspiros! Sustenho a respiração, respiro fundo, certifico-me que continuo a respirar. Estou vivo, há que dar o braço à luta. A minhas mão nos últimos dias tem sido berbequim... Inscrevo as letras que vão ditar o meu desempenho e competência...

Diversas sensações e percepções (in)dispõem o meu corpo e espírito quando estou in a middle of an evaluation period... mais um entourage de avaliações... Detesto ser avaliado, não compreendo o conceito nem testifico ou faço fé de que um ser humano consiga avaliar outro... Fico ansioso... Procuro ser metódico, rigoroso, eficiente mas sempre me deixo levar e conduzir por excentricidades e laivos de perfeccionista.

Explico como surgem, nascem, brotam, balbuciam e borbulham as minhas ideias patenteadas com direito a copyright, TM, press rights etc...

1.ª Fase - Intimista

Tudo começa com um sentimento de rejeição, de fuga e evasão... contrariedade... não querer pensar ou fazer... Sim, as minhas ideias nascem de conflitos entre os meus desejos, caprichos e vontade face às obrigações, trabalho e dever...

2.ª Fase - Abstracta

Tudo é confuso, nublado, oculto e devoluto... Calejam-se os dedos, as pestanas desfalecem, fica-se pelos cabelos, as unhas roem o juízo e o juízo torna sisudo o corpo... Tudo parece obstáculo e inintelegivel... Rasga-se a ecologia, apupa-se o ambiente, culpa-se o tempo... Detesto dead lines...

3.ª Fase - Impressionista

Não sei lá muito bem o que vou fazer ou como vou fazer, mas já se ostenta esforço, dedicação, empenhamento, trabalho e competências... tudo fruto de umas quantas artimanhas e habilidades que ao olho desarmado já se afigura como obra de arte embora eu saiba que acabei apenas de pôr as peças no estaleiro... Pinto-me aquilo que ainda não sou...

4.ª Fase - Surrealismo

Tantas peças para compor! Um opúsculo para escrever! Obra de arte para realizar! Tudo é neurose. Vagueio como diletante por uma miriade e oceano de conceitos, metodologias, perspectivas, hipóteses, problemas, fontes, organogramas, teoremas... No sono induzido pelo sonho fico esclarecido na tela do meu sub-inconsciente em como devo encaixar cada peça... Acordo e passo o dia sonâmbulo a tentar fazer vingar o sonho... Esbarro na logística e caras fechadas, perco-me em situações dialógicas, fico marcado por páginas e obcecado por parágrafos... Sou cenobítico na frequência de arquivos e bibliotecas mas nesses locais sinto-me anacoreta e eremita... Desgosto o meu temperamento em tais cavernas... Busco luz... Procuro equilibrar-me entre a árida obrigação e o trampolim dos meus prazeres... Sou bipolar. Alcolito de dia e bone vivant pour la nuit... Vivo na intermitência, interlúdios da agrura do dever e os saltos e pulos do meu trampolim de prazeres... Vivo em estado de esboço, sonho e boémia...

5.ª Fase - Expressionismo

Depois de muito cogitar, gizar e matutar tudo começa a ganhar formas e contornos... À imagem de um Matisse ou Cezanne assinalo e realço certas linhas, pontos e traçados a negro, pois considero essenciais, nucleares e basilares para que se possam ver e sobressair as restantes cores do quadro... Tudo começa a ter lógica, coerência e interligação... O trabalho já não é purgatório... Consigo ataviar-me de prazer no momento criativo da labuta... Divirto-me com a permuta de ideias, silogismos, argumentos... Já não escrevo com pena! Tudo ganha relevo, dimensão e profundidade.

6.ª Fase - Funcionalismo

De pintor passo a arquitecto... Projecto e Construo (Building)... Todas as divisões, pisos e funções são meticulosamente organizadas e contruídas... Nada de excessos barrocos ou cuspidez gótica... Apenas alguns contrafortes como salvaguardas... Laico é o meu Build mas é feito Capítulo a Capítulo! A obra está feita... Há que maquilhar o arquitecto e apetrechá-lo de todas as linhas, pontos e pergaminhos e dotá-lo de todos os palimpsestos da sua obra... Consigo ver o projecto à frente dos meus olhos como se fossem xilogravuras ou até mesmo banda desenhada (BD)... Resta ainda a tarefa de dar ao projecto a capa e a solenidade de um incunábulo... O edifício está pronto a habitar... resta promovê-lo e fazer comércio e negócio do mesmo... Tal domus será a defesa do dominus... Unidos por forma umbilical um sustenta o outro... O meu coração vira sismógrafo!
Sou capaz de reconhecer que não é o mais belo edifício do mundo mas juro que do alto dele se tem uma das mais belas vistas... No final é tudo uma questão de perspectiva... Detemos muito tempo e atenção com a segurança dos alicerces que mais dia menos dia sedem à erosão e esquecemos de subir ao último andar para desfrutar da panorâmica!

7.ª Fase - Descanso Sabático

Retiro Sabático como não poderia deixar de ser. O tempo de criar a obra já passou, 6 dias de trabalho, um de descanso e mil e uma noites é o saldo final.
Nunca faltou força de vontade nem psicológica...mas por vezes sou traído pela quebra, exaurir e esgotamento da energia física e vitalidade anímica. Nada preocupante. A terra continua a girar em torno do sol. A seguir a um dia foggy Londrino e uma noite glaciar segue-se sempre um amanhecer tropical que insufla o meu espírito.
Há que cruzar os oceanos sendo sempre Pacífico... No momento certo indico rotas, estreitos, golfos, ilhas e penínsulas... Vou do pólo norte ao pólo sul pondo em estado de sítio os meus Hemisférios!
Mas pondo o pé em terra firme digo que não interessa a jornada difícil na vereda da vertente Montanhosa... Interessa sim mostrar o Vale... e o meu trabalho e esforço vale muito.

CA

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