Avançar para o conteúdo principal

SOMETHING ELSE – The Cranberries


Something Else – lançado em 28 de abril de 2017 – representa o trabalho discográfico de consagração dos 25 anos de carreira da icónica banda The Cranberries, denotando-se a atmosfera de homenagem à exímia cantora e compositora Dolores O’Riordan (DO), sobretudo após o seu dramático e inesperado falecimento, com apenas 46 anos, a 15 de janeiro, no contexto da preparação de uma série de gravações e subsequente turné mundial.

As sonoridades do álbum miscigenam acústica, percussão e arranjos orquestrais para prestar tributo à egéria do Celtic Rock. De forma idiossincrática, Something Else pretere os ritmos mais sanguíneos do Rock Alternativo para, de modo intemporal e panegírico, sublimar as baladas, melopeias, reverberações e sussurros personificados na voz exuberante de DO, sem descaracterizar o portefólio artístico granjeado pela heroína desta banda irlandesa. 

 O 7.º álbum de estúdio de The Cranberries, quer na individuação das faixas sonoras, quer na holística ou conceito do álbum, catalisa uma envolvência intimista e nostálgica que, na perspetiva polifónica, funde os ritmos do Rock AOR, Folk Rock, Pop Rock e melodias de orquestra de câmara – interpretadas pela Irish Chamber Orchestra – com a Música Celta, a ponto de induzir algo do efeito Celtic Chill Out rubricado por The Corrs.

  
A musicalidade de Something Else recria a década dourada do grupo, os anos 90, através de versões majoradas e regravadas dos singles de culto criados e, sobretudo, interpretados pela voz cristalina de DO, tais como Linger, Dreams, Zombie, Ode to My Family, Just My Imagination, You and Me, entre outros, além de brindar os fãs com três canções inéditas, concretamente The Glory, Rupture e Why. De modo sinestésico, o mais recente trabalho artístico de The Cranberries revela-se introspetivo e afetuoso, atributos repercutidos pela sinergia entre a simplicidade dos instrumentos de cordas e a eufonia da voz doce de Dolores O’Riordan. 

CA

Comentários

Mensagens populares deste blogue

DUNKIRK – Cristopher Nolan

[ Spoiler alert ] Dunkirk – estreia em cinema, desde 20 de julho, em Portugal – representa o drama de guerra que recria o “espírito” ou «milagre de Dunquerque», conforme o epíteto batizado pelo carismático líder e primeiro ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), por forma a enaltecer a resiliência, diligência e o altruísmo que, no contexto beligerante inicial da II Guerra Mundial (1939-1945), mobilizaram as tropas aliadas a par de alguns civis a desafiarem as adversidades e os perigos infligidos pela derrota contundente na violenta batalha anfíbia e aérea de Dunquerque – pequena cidade portuária na costa norte de França, nas cercanias do entreposto geoestratégico de Calais e rota de acesso ao Canal da Mancha –, decorrida entre 25 de maio e 4 de junho de 1940, no intuito de resgatarem e evacuarem mais de 338.000 soldados, de um total de 400.000 militares pertencentes aos exércitos francês, belga, polaco, dos Países Baixos e, sobretudo, do Império Britânico, conquanto o plan...

PANDEMIA COVID-19

COVID-19, a pandemia rocambolesca da era global, declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a 11 de março de 2020, que testa os limites da sociedade de consumo, da informação – media e social media –, do lazer, da vibe . A Síndrome Respiratória Aguda Grave 2, ou SARS-CoV-2, representa o agente patogénico indutor da doença COVID-19. De forma enigmática, o surto epidemiológico SARS-CoV, de 2002-2004, que se julgava erradicado, imergiu a Humanidade numa nova estirpe pandémica claustrofóbica. No tsunami COVID-19, enquanto o mundo sustém a respiração, para evitar contágio, o planeta respira de alívio. Com efeito, esta “greta” socioeconómica do novo coronavírus diminui ativamente a pegada ecológica, na medida em que representa menos um milhão de toneladas mundiais diárias de CO2! A História da sala de aula, pelos piores motivos, converte-se em História Viva, desmentindo o vaticínio falacioso – O Fim da História – de Yoshihiro Francis Fukuyama, até porque é inevitável o par...

PROMETHEUS – O Regresso de ALIEN

Prometheus é um filme assinado por Ridley Scott, transparecendo-o desde logo, quer no apelo estético e visual que induz, quer nos cenários majestosos, riqueza de pormenores e perfeita osmose entre cultura natural e cultura construída. O sincretismo entre paisagens naturais e objetos virtuais reproduzem grande acuidade sensorial e profusão de perceções, que deslumbram de tal maneira, a ponto de esquecermos o efeito de thriller que, além do suspense, plasma momentos de horror ou terror. Rapidamente, constatamos que Prometheus é uma prequela da saga Alien , dotado de todas as características de suspense, aventura, ação e terror que laurearam esse universo cinematográfico e imaginário da ficção científica. Denotam-se outras influências: Blade Runner, 2001 Odisseia no Espaço, Avatar e até um travo de Star Trek e Star Gate .     A prequela consiste na especulação sobre as origens do Homem e dos Aliens ... Como o próprio título do filme sugere, trata-se de descobri...