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#METOO – O charivari das estrelas

Tudo o que não é amor, ou é submissão, ou interesse, ou abuso, ou oportunismo. É o comentário que me apraz sobre o grau de mediatismo tedioso – viral, no dizer dos Millennials – alcançado pela garbosa campanha de denúncia #MeToo. Fico siderado com o enlevo e a galhardia que as redes sociais conferiram à consciência ou vivência da cidadania. Literalmente, colocam-nos os Direitos Humanos na ponta dos dedos, tão na ponta que, no dia a dia real, nos escorregam das mãos. Tirem o pó às guilhotinas, atirem com brioches à mona uns dos outros.

Emílio e Sofia brincam de amuos a tuitar, “retuitar”, a postar, partilhar, “viralizam” sentimentos, emoções, zangam-se, mas não se sabe bem porquê? Inocentes, para o bem e para o mal, desbaratam a sua intimidade através da popularidade erógena de hashtags, likes e emojis.
Neste lero-lero das estrelas, desconhecemos o crível e o incrível. Mas, afinal, do que é que esta gente caprichosa – atores, atrizes, modelos, etc. – se queixa ou se desculpa? Pelo Twitter ou Facebook?

Seja lá o que for, agressão ou recalcamento, dolo ou quid pro quo, moléstia ou ciúme, não deve ser sério, até porque representam meras postagens nas redes sociais, que, após a escalada mediática, rapidamente imergem no esquecimento e indiferença, limitando-se a epifenómenos de entretenimento no âmbito da pop culture globalizada, ignorantes acerca da civilidade a par de grandes conquistas civilizacionais, tais como: justiça, respeito e dignidade.

No suposto reforço da liberdade e cidadania através das potencialidades dos média sociais, independente de machismos ou feminismos, a denúncia redunda em banalização, perpetua o assédio moral e verbal, assim como os estereótipos bacocos de género, como, por exemplo, o de homem agressor e o da mulher vitima. Mais. A integridade desvanece na claustrofobia digital e, por seu turno, as estrelas revelam que, porventura, brilham muito pouco. Não é grave, apenas charivari!

CA

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